Como os poderosos caem

Um dos maiores estudiosos do sucesso das empresas, Jim Collins, autor do best-seller “Feitas para Durar, Feitas para Vencer” , desta vez inovou e realizou seu primeiro mergulho no universo de grandes companhias americanas fracassadas.

O estudo pode ser encontrado em seu mais recente livro, “How the Mighty Fall” (“Como os Poderosos caem”, numa tradução livre), ainda sem previsão de publicação no Brasil.

Segundo Collins, empresas poderosas entram em declínio porque se acomodam. Elas se tornam tão arrogantes que acreditam que todas as suas iniciativas serão sempre infalíveis.

Confira a seguir as cinco fases da queda:

1 Excesso de confiança originado pelo sucesso
Empresas poderosas e bem-sucedidas correm o risco de se tornarem arrogantes demais. O primeiro passo do declínio é justamente acreditar que o sucesso do passado é garantia de um futuro igualmente brilhante. Exemplo: Quando lançou o celular Star TAC, em meados da década de 90, a Motorola, empresa vitoriosa, optou pela tecnologia analógica embora a onda digital já estivesse iniciando. Ao ser questionado sobre ser mesmo aquela a melhor solução tecnológica para o produto, um alto executivo da empresa respondeu: “Quarenta e três milhões de consumidores analógicos não poderiam estar errados”.

2 Busca indisciplinada pelo crescimento
Essa fase é consequência direta da primeira. Companhias cegas e obstinadas pelo próprio sucesso buscam crescer a qualquer custo e, muitas vezes, deixam de lado justamente os fundamentos que as levaram ao topo.
Exemplo: Na década de 80, um dos grandes rivais do Walmart era a varejista Ames. Em 1988, para ultrapassar seu concorrente, a Ames decidiu dobrar de tamanho em apenas um ano. Para isso, fez uma aquisição gigantesca que se mostrou um grande desastre. Conclusão: quatro anos depois, a Ames entrou em concordata.

3Negação do risco
Quando há sinais de que alguma coisa não vai bem, as empresas em declínio simplesmente os ignoram ou culpam o mercado, a concorrência e até o azar em vez de procurar entender as razões.
Exemplo: Quando o negócio de mainframes da IBM começou a perder o vigor, no final dos anos 80, um diretor chegou a fazer um relatório sobre a situação e sobre os futuros perigos e o entregou a um dos principais líderes da companhia. A resposta do executivo foi simplesmente a seguinte: “Deve haver algo errado com seus dados”. Não havia. Até 1992, a empresa teve de demitir 125 mil funcionários, mas escapou do fracasso graças a uma virada comandada por Louis Gerstner.

4Corrida pela salvação
No momento em que a crise pode ser percebida por todos, a empresa sempre busca uma “bala de prata” que possa salvá-la da ruína, uma fusão mágica ou um novo presidente contratado a peso de ouro.
Exemplo: Em 1998, depois de cinco trimestres “patinando”, a HP contratou a americana Carly Fiorina, eleita pela revista “Fortune” como a executiva mais poderosa do mundo. Carismática, Carly tomou decisões arriscadas, como a compra da concorrente Compaq, em 2002. A fusão não deu resultado e ela foi demitida três anos depois. A HP só começou a se recuperar depois da entrada do sucessor de Carly, o então desconhecido Mark Hurd.

5 Irrelevância ou morte
Quanto mais tempo a empresa permanecer no quarto estágio, mais difícil será a sua recuperação. Nessa fase, seu vigor financeiro acabou, suas principais lideranças já debandaram e não há nenhuma estratégia de recuperação à vista. Só lhe resta ser adquirida ou fechar as portas.
Exemplo: Nos anos 90, depois de atravessar todas as fases do declínio, a fabricante de papéis americana Scott Paper foi vendida para a concorrente Kimberly-Clark.

De modo geral, os verdadeiros responsáveis pelo declínio são os líderes com excesso de confiança, que muitas vezes tomam decisões precipitadas, achando que são os donos da verdade. A solução é ouvir a equipe com humildade. Os empresários devem investir nos chamados “pratas da casa”, apesar de muitos acharem o contrário. Com motivação, incentivos e profissionalização, a empresa que acreditar em seus funcionários obterá resultados satisfatórios, isso porque eles já conhecem a política da empresa, o que conta muito na hora da tomada das decisões. Mesmo isso parecendo óbvio, muitos líderes preferem gastar mais, contratando pessoas externas e pagando a elas altos salários, o que causa o descontentamento e a desmotivação de seus colaboradores e põe fim no seu sonho de crescer dentro da empresa.

Você Sabia?
Jim Collins é um estudioso do comportamento de grandes empresas, formador de líderes empresariais e autor de vários artigos e livros sobre gestão. Foi professor na Universidade de Stanford, onde conquistou o prémio Distinguished Teaching Award. Atualmente trabalha em seu escritório particular, em Boulder, Colorado, onde se dedica às suas pesquisas e estudos.

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Deyse Isimar é psicóloga e coach, especialista em treinamento de varejo e serviços. Atende pela Treinare Consultores Associados.
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